sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Infância perdida ou roubada?

Nos últimos meses tive a oportunidade de conhecer histórias de crianças que perderam o brilho e a alegria do ser criança. Meninos e meninas que trocaram as brincadeiras pelo trabalho e mendicância, seja por comida ou por alguns trocados que mais tarde se convertem em pedras de crack.
O mais alarmante é que a principal razão destes garotos pararem em um abrigo não é por causa de drogas, mas porque seus pais e mães, pessoas que deveriam cuidar e proteger estas crianças, se esquecem desta responsabilidade e os agride de forma  física, verbal e psicológica.
Pais e mães usuários de drogas que colocam seus filhos em risco ao obrigá-los a irem até os traficantes para comprar a droga, ora porque estão em dívida e temem por suas próprias vidas, arriscando a dos filhos, ora porque não reúnem condições de sequer sair de casa.
Mas diante de uma descrição como esta, que revela aspectos pesados do trabalho diário, não posso deixar de mencionar o que há de bom.
As crianças que chegam assutadas, com a idéia de uma prisão de crianças, imaginando que alí é um tipo de "Fundação Casa", onde crinaças são tratadas como "mini adultos criminosos". 
Mas em poucos minutos seus olhos revelam o espanto. Ao chegarem veem que no lugar de muros e grades há arvores, no lugar de celas há quartos com camas e armários e que ao invés de guardas há o que chamamos de Pai ou Mãe Social, uma figura que não tem o objetivo de substituir o pai ou mãe verdadeiro, mas o de dar o cuidado e atenção que estes deveriam ter dado. 

Os garotos que chegam percebem a diferença quando veem outras crianças correndo, jogando bola, soltando pipa e até brigando entre si por motivos bobos, coisa de criança, e em pouco tempo percebem que alí podem voltar a ser criança novamente.
Ser Psicólogo onde há tantas possibilidades de atuação, e uma grande necessidade cuidado é muito gratificante, principalmente pelo grandes resultados que conseguimos atingir em pouco tempo de trabalho com estas crianças.

"Quando as crianças agem como pequenos adultos, é porque a sofreram uma violência que lhe tiraram a alegria, e o que vemos é o que restou."