A cultura atual prega à valorização do individualismo e o reducionismo dos interesses alheios, e diante desta sociedade narcisista a psicoterapia oferece a oportunidade de "Desabafar".
O desabafo é o momento que a mente pode externar emoções que vinha retendo durante horas, revisar desagradáveis situações do dia para então poder relaxar.
A tensão de reter emoções é desgastante, e é por isso que guardar um segredo dá tanto trabalho.
Preocupações, assim como segredos, são representações mentais angustiantes, aflitivas, que levam à ativação de uma estrutura do cérebro especializada em antecipar problemas, o córtex cingulado anterior. Ativado, ele, por sua vez, dispara uma série de alarmes, parte da resposta ao estresse da preocupação, que deixam a mente e o corpo tensos. Além disso, já que nossa mente sabe organizar os pensamentos em palavras, ficamos remoendo a preocupação ou o segredo, ensaiando mentalmente sua versão motora produzida pela boca, o falar.
Mas, sem ter com quem desabafar, ou para quem contar, o processo não é concluído, e assim tem-se uma mente cada vez mais aflita, em um esforço cognitivo em se manter atenta para segurar ativamente suas palavras.
Ao "colocar tudo para fora" o processo tão ensaiado é executado e não precisa mais ser segurado pelo seu córtex pré-frontal; assim o cingulado anterior pode soltar um “Ufa!” e desligar os alarmes que ajudavam o resto do cérebro a manter o controle. Essa é uma das razões pelas quais a psicoterapia pode ser tão boa: O simples desabafo.
Este desabafo, aliado a escuta especializada de um profissional da psicologia pode ajudar de forma mais eficiente na superação e elaboração destas preocupações, com a garantia do mais completo e absoluto sigilo.
Falar de si é bom, mas falar de si para os outros realmente o ouvem é melhor ainda.
Não se trata apenas de uma questão social ou cultural: o prazer de expressar seus próprios pensamentos e estado de espírito é real e mensurável. E quando os próprios pensamentos são aflitivos, o desabafo ainda é um alívio só.
Uma ressalva, contudo: pelas mesmas razões, ficar revisitando e remoendo um mesmo problema meses a fio, ao longo de sessões e mais sessões de terapia, muitas vezes é um tiro no pé. É preciso saber deixar o problema ir embora.
Fonte: Revista Mente e Cérebro

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